Irã sobe de tom sua retórica genocida

Os motivos de o governo iraniano e dos aiatólas acreditarem que estão vencendo a guerra contra o Ocidente e estarem elevando o tom das ameaças

  • Ahma


  • Todos os anos desde a revolução de 1979, o regime iraniano marca o Dia internacional  de Jerusalém (Quds) na última sexta-feira do mês do Ramadã. Como em anos anteriores, a liderança iraniana pediu a destruição de Israel e do "sionismo mundial", enquanto as massas eufóricas berravam: "Morte à América" e "Morte a Israel" durante os comícios e inflamados pela liderança.

  • Para o Irã xiita, a luta contra Israel e seus aliados ocidentais é quase o único denominador comum com a maior parte do domínio árabe sunita. Agora, com a ascensão de regimes islâmicos - especialmente no Egito, que o Irã vê como tendo quebrado o tabu das acomodações de paz com Israel - o Irã está fazendo uso maior da questão palestina e negação do direito de Israel de existir, a fim de ganhar os corações e mentes de muçulmanos em todo o Oriente Médio e além.

  • Do ponto de vista do Irã, a Primavera Árabe - ou despertar islâmico como o denomina o Irã - revalidou a visão do  aiatolá Khomeini, e o Irã sente grande confiança na justiça de sua abordagem, que se vê como parte de um amplo percurso histórico de intervenção divina. A reunião de mais de 100 nações não-alinhadas em Teerã esta semana, juntamente com a participação do Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon, e do recém-eleito presidente do Egito - apesar dos esforços dos EUA para evitar isso - reforça ainda mais a crença do Irã no triunfo da sua visão alternativa revolucionária islâmica da nova ordem mundial.

  • Os atuais líderes do Irã também associam a visão de Khomeini com sucessos repetidos nas arenas nacional e regional: o programa nuclear que continua avançando, apesar dos esforços do Ocidente e de Israel para bloquear ele; a queda de Saddam Hussein e do Talibã; a "vitória" do Hezbollah  contra Israel na Segunda Guerra do Líbano; a "posição firme" dos palestinos na subseqüente Guerra em Gaza; e o despertar islâmico, que o Irã se apropria como se fosse sua criação e responsabilidade.

  • Acredita-se que, assim como o cumprimento das profecias de Khomeini sobre o colapso da União Soviética ea queda de Saddam, sua profecia da destruição de Israel também será realizada e a missão está em mãos iranianas.

  • A retórica antiisrael e antissionista  virulenta da liderança iraniana , muito em evidência antes e durante o Dia de Jerusalém em 17 de agosto, de fato recicla os slogans originais da revolução de Khomeini, recalibrados para o humor islâmico agora  predominante no Oriente Médio. Neste contexto, os porta-vozes iranianos afirmam que a crise síria não é parte do despertar islâmico, mas uma tentativa do Ocidente para atacar uma das fortalezas principais da luta antiisrael e anti-EUA. 


O  tenente-coronel (aposentado) da IDF, Michael (Mickey) Segall é um especialista em questões estratégicas com foco no Irã, o terrorismo, e no Oriente Médio, e é um analista sênior do Centro de Jerusalém para Assuntos Públicos e da Companhia Terrogence.

Autor: Michael Segall, coronel aposentado da IDF e especialista em assuntos estratégicos do Oriente Médio
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