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A Psicologia Dos Atentados Por Homens-Bomba
No dia 15 de julho [de 2005], eu estive no programa “Connected”, da rede norte-americana de televisão MSNBC, para discutir os atentados suicidas ocorridos em Londres no dia 7 de julho [do mesmo ano].
Um de meus colegas convidados era Pierre Rehov, um cineasta francês que já havia feito seis documentários sobre a Intifada durante viagens ocultas a terras palestinas. Seu filme mais recente, “Suicide Killers” [“Assassinos Suicidas“, lançado nos Estados Unidos no começo de 2006], é baseado em entrevistas com familiares de assassinos suicidas e com homens-bomba cujos atentados fracassaram, numa tentativa de descobrir os motivos que levam essas pessoas a cometer tal tipo de atentado. Pierre Rehov aceitou meu pedido de uma entrevista do tipo “perguntas & respostas” sobre seu trabalho nesse novo filme. Muito obrigado a Dean Draznin e Arlyn Risking por terem me ajudado a conseguir essa entrevista especial.
O que o inspirou a produzir “Suicide Killers”, seu sétimo filme?
Eu comecei a trabalhar com vítimas de ataques suicidas para fazer um filme sobre PTSD (Perturbação Pós-traumática do Stress) e fiquei fascinado pela personalidade daquelas pessoas que perpetravam esse tipo de crime, considerando as descrições que as vítimas faziam repetidamente deles. Especialmente pelo fato de esses homens-bomba estarem sempre sorrindo um segundo antes de se explodirem.
Por que esse filme é particularmente importante?
As pessoas não compreendem a cultura devastadora que se esconde por detrás desse fenômeno inacreditável. Meu filme não é politicamente correto, pois ele aborda o problema real: mostra a verdadeira face do Islã. Ele mostra e acusa uma cultura de ódio, na qual pessoas sem qualquer educação sofrem uma lavagem cerebral de tal ordem que sua única solução na vida passa a ser matar a si mesmos e a outros em nome de D-us, cuja palavra, segundo lhes disseram outros homens, tornou-se sua única segurança.
Que tipo de percepção íntima você adquiriu a partir do filme? O que você sabe agora que outros especialistas não sabem?
Eu cheguei à conclusão que estamos vivendo uma neurose ao nível de uma civilização inteira. A maior parte das neuroses têm em comum um acontecimento dramático, geralmente ligado a um comportamento sexual inaceitável. Nesse caso, estamos falando de crianças e jovens que vivem suas vidas em pura frustração, sem qualquer oportunidade de experimentar sexo, amor, ternura ou mesmo compreensão por parte do sexo oposto. A separação entre homens e mulheres no Islã é absoluta. Assim como o desprezo pelas mulheres, que são totalmente dominadas pelos homens. Isso leva a uma situação de extrema ansiedade, na qual um comportamento normal não é possível. Não é coincidência que os homens-bomba sejam, em sua imensa maioria, jovens rapazes dominados subconscientemente por uma libido completamente reprimida que, além de não poderem satisfazer, lhes causa um medo aterrador, como se fosse obra do diabo. Como o Islã descreve o Céu como um lugar onde tudo na Terra será finalmente permitido – e promete 72 virgens a esses garotos frustrados –, matar outras pessoas e matar a si mesmos para alcançar a redenção se torna a única solução.
Como foi a experiência de entrevistar os homens-bomba frustrados em seus ataques, os seus familiares e as vitimas sobreviventes dos atentados?
Foi uma experiência fascinante e aterradora, ao mesmo tempo. Você está lidando com pessoas aparentemente normais, de muito boas maneiras, com sua lógica própria e que, até certo ponto, pode fazer sentido – já que elas estão convencidas de que o que dizem é verdade. É como lidar com a simples loucura, entrevistando pessoas num sanatório: o que eles dizem é, para eles, a mais absoluta verdade. Eu ouvi uma mãe dizendo: “Graças a D-us, meu filho está morto.” Seu filho havia se tornado um shaheed, um mártir, o que para ela era uma fonte de orgulho maior do que se ele tivesse se tornado um engenheiro, um médico ou um ganhador do Prémio Nobel. Esse sistema de valores é completamente invertido, sua interpretação do Islã valoriza a morte muito mais do que a vida. Você está lidando com pessoas cujo único sonho, único objetivo é realizar aquilo que elas acreditam ser seu destino: ser um shaheed ou parente de um shaheed. Eles não vêem as pessoas inocentes que são assassinadas, eles vêem apenas os “impuros” que têm que destruir.
Você disse que os homens-bomba experimentam um momento de poder absoluto, acima de qualquer punição. Seria a morte o poder supremo?
Não a morte como um fim, mas como uma passagem para o “além-vida”. Eles buscam a recompensa que D-us lhes prometeu. Eles trabalham para D-us, a autoridade máxima, acima de toda e qualquer lei dos homens. Assim, eles experimentam esse momento único e ilusório de poder absoluto, em que nada de mau pode atingi-los pois eles se tornaram a espada de D-us.
Existe um perfil típico da personalidade de um homem-bomba? Descreva essa psicopatologia.
A maioria são jovens entre 15 e 25 anos que carregam inúmeros complexos, geralmente complexos de inferioridade. Eles certamente foram doutrinados religiosamente. Geralmente não têm uma personalidade bem desenvolvida. São usualmente idealistas bastante impressionáveis. No mundo ocidental, eles facilmente se tornariam viciados em drogas – mas não criminosos. É interessante, eles não são criminosos porque eles não enxergam o bom e o mau como nós enxergamos. Se eles tivessem crescido na cultura ocidental, eles detestariam a violência. Mas eles batalham constantemente contra a ansiedade da própria morte. A única solução para esta patologia tão profundamente arraigada é querer morrer e ser recompensado numa vida após a morte, no Paraíso.
Os homens-bomba são motivados principalmente por convicção religiosa?
Sim, esta é a única convicção que eles possuem. Eles não agem assim para conquistar um território, ou para encontrar liberdade, ou mesmo dignidade. Eles apenas seguem Alá, o juiz supremo, e aquilo que Ele manda que façam.
Todos os muçulmanos interpretam a jihad e o martírio da mesma maneira?
Todos os muçulmanos religiosos acreditam que, no final, o Islã prevalecerá sobre a Terra. Acreditam que a sua é a única religião verdadeira e não há qualquer espaço, em suas mentes, para interpretações. A principal diferença entre muçulmanos moderados e extremistas é que os moderados não acreditam que irão testemunhar a vitória absoluta do Islã durante o tempos de suas vidas e, assim, eles respeitam as crenças dos outros. Os extremistas acreditam que a realização da profecia do Islã e seu domínio sobre todo o mundo, como descrito no Corão, é para os nossos dias. Cada vitória de Bin Laden convence 20 milhões de muçulmanos moderados a se tornarem extremistas.
Descreva-nos a cultura que forja os homens-bomba.
Opressão, falta de liberdade, lavagem cerebral, miséria organizada, entrega a D-us do comando sobre a vida cotidiana, completa separação entre homens e mulheres, sexo proibido, destituição de qualquer tipo de poder às mulheres e total encargo dos homens de zelar pela honra familiar, o que diz respeito principalmente ao comportamento de suas mulheres.
Quais as forças sócio-econômicas que sustentam a perpetuação dos homens-bomba?
A caridade muçulmana é geralmente um disfarce para a assistência a organizações terroristas. Mas deve-se também observar paises como Paquistão, Arábia Saudita e Irã, que também dão apoio às mesmas organizações utilizando-se de métodos diferentes. O irônico, no caso dos terroristas suicidas palestinos, é que a maior parte do dinheiro chega a
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