|
Transformando a UOL Em Pasquim
Quando a homepage do UOL fez a chamada para a entrevista exclusiva de Fernando Rodrigues com o governador da Bahia, Jacques Wagner, com dois erros e uma grosseira apelação - digna da mais baixa imprensa marrom - dava a impressão que a redação do mesmo sentia a falta do falecido e nostálgico Notícias Populares. Pois, aberração é pouco para descrever tal manchete.

Legenda da chamada Jacques Wagner: Judeu, governador da BA aprova vinda de iraniano
Partindo do príncipio de que realmente Jacques Wagner tivesse aprovado a vinda do iraniano (o que veremos não ser verdade na sequencia deste comentário), estaria correta esta chamada?
Eu deixo bem explicíta a pergunta: seria correta, ética esta chamada?
Explico. É óbvio que chamaria a atenção uma chamada destas ( em sendo verdade). Um político judeu apoiando a vinda do presidente iraniano? Chama a atenção. Holofote. Mas é correto?
Alguém já viu chamadas ao estilo: Celso Pitta, afro-descendente, etc..., Lula, cristão, etc..., até mesmo, presidente Ahmadinejad do irã, muçulmano, etc.... Nunca vimos, não é verdade? Então deve ser porque tem algo errado ai. Rotular Jacques Wagner de judeu, destacando sua religião, é discriminação, racismo e antissemitismo.
Afinal esta se entrevistando:
- Jacques Wagner, o governador?
- Jacques Wagner, o politico?
- Jacques Wagner, o membro do partido governista, o PT?
Ou um "judeu"?????
Se for o judeu Jacques Wagner, posso arranjar muitos outros judeus (a maioria por sinal) que são contra esta visita. Fato é que se tratou de apelação baixa, sensacionalismo ralé, que não condiz com um veículo do porte da UOL.
Agora, como se isso por si só não bastasse, adivinhem? A chamada da UOL é completamente errônea, porque é inversamente proporcional ao conteúdo da matéria: Jacques Wagner desaprova Ahmadinejad.
Vejam só:

Ahmadinejad é desserviço a paz: Cade a aprovação????
É preciso dizer mais alguma coisa? Além de discriminatória, a manchete é errônea, e por consequencia, mentirosa.
Um veículo como a UOL se transformando em imprensa marrom? Tem cabimento?
O que mais pode ser dito a respeito? Não sei. Talvez o ombudsman da Folha/UOL possa responder a respeito.
Ombudsman do UOL: ombudsmandouol@uol.com.br
|