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Correndo Atrás Do Prejuízo
O diário O Globo do Rio de Janeiro, não quis ficar atrás, e saiu neste começo de ano (oito de janeiro) imitando seu principal concorrente, o Jornal do Brasil: publicou uma "piada" que vai do mal gosto ao anti-semitismo clássico. O tema "original" da mesma era a doença do primeiro ministro israelense, Ariel Sharon.
Este comentário foi feito sob indicação de Thaís Macêdo e do jornalista José Roitberg
O texto, de autoria de Agamenon Mendes Pedreira, intitulado "Ariel Sharon Stone", trata do líder israelense com um deboche nunca visto. Publicada no momento em que o primeiro ministro israelense lutava pela vida no hospital, a "piada" faz gozação com sua doença e agonia, coisa que duvidamos que seria feita se o caso fosse com outra figura importante, nacional ou internacional, como os presidentes Lula e Bush.
É no mínimo, no mínimo, um desrespeito com o valor da vida humana. Quando da morte/doença grave de outros "famosos", tal atitude não foi vista por parte do humorista e do Globo. Nem mesmo no caso da morte do terrorista, ditador e corrupto líder palestino Arafat. Porque Sharon merece este tratamento especial? Talvez por ser judeu? (vide a continuação do texto)

Pois na continuação da infame piada, o que vemos é o anti-semitismo explicito em sua forma mais clara: tratar o judeu como usurário, ganancioso e que apenas pensa no dinheiro, aconteça o que acontecer na sua vida, inclusive na ora de orar por alguem doente.
O texto de Agamenon diz em seu último parágrafo: "Consternados e preocupados com a saúde do seu líder, judeus do mundo inteiro estão fazendo uma enorme corrente (de ouro, cravejada de brilhantes, da H. Stern) pela recuperação da saúde de Ariel Shalom. Neste momento de angústia e incerteza, a comunidade judaica se pergunta: "Será que o Sharon tem plano de saúde?", "Quanto vai ser a conta do hospital?"
Acreditamos que algumas pessoas possam alegar: "mas é só uma coluna de humor...". Isto é verdade. No entanto, isto não dá direito algum ao Globo e ao seu humorista de menosprezarem a vida humana e reforçarem estereótipos. Será que o diário publicaria algo semelhante em relação aos homossexuais, negros, nordestinos e outras minorias discriminadas? E será que a alegação de que se trata de "humor" serviria como desculpa diante da reação furiosa que certamente viria destes grupos?
Curioso que nestas horas ninguém se lembra que existem grupos de ajuda aos necessitados judeus na comunidade, como a Unibes e o Ten Yad. Ou seja, existem sim pobres judeus. Isso não é mito, é fato. Na Argentina hoje, calcula-se que 25% da população judaica local esteja na linha da miséria. Em israel, pesquisa recente falou em um milhão de pobres.
A "piada" dá a entender que antes de tudo, para o judeu, vem o dinheiro. Nada poderia ser mais mentiroso. Será que precisamos falar das contribuições do povo judeu a humanidade em termos de avanços tecnológicos, medicina, saúde, educação, música, etc..? Será que precisaremos mais uma vez relembrar as ações de ajuda humanitária realizadas por Israel em todo o mundo nos mais diversos desastres naturais e tragédias? E é claro, como pode o mundo esquecer, as ações assistenciais judaicas? O trabalho do Hospital Albert Einstein na favela de Paraisópolis? E a ajuda da CONIB a cidade de Itinga no programa "Fome Zero"? E projeto semelhante da Fisesp com Redenção? E o programa de ajuda educacional-alimentar em locais necessitados de São Paulo, o "Maça Com Mel"? E finalmente o programa para crianças com câncer (não-judias) Felicidade da entidade religiosa Beit Chabad em SP? Vamos jogar tudo isso no lixo?
Porque afinal, para Agamenon e para o jornal que lhe franqueou espaço, o "problema" do judeu é com a conta do hospital. Na hora de fazer corrente de orações, esta tem que ser de ouro e jóias. É o cúmulo da falta de respeito..
Sim, foram feitas correntes de orações em muitas sinagogas e comunidades em todo o mundo. Do mesmo jeito, que várias destas e outras entidades religiosas judaicas rezaram pela saúde do Papa em seus últimos dias. Quem tem o direito de desprezar a reza judaica e menosprezar a fé do povo de Israel em um momento de dor pelo primeiro ministro de seu país? Porque isto não foi feito com os católicos quando das correntes de orações pelo Papa? O que, se não o anti-semitismo clássico, a judeofobia, explicaria a utilização de um momento tão delicado destes para se agredir de forma tão vergonhosa o povo judeu?
Novamente, pode-se argumentar que estamos exagerando. Que se trata de apenas uma piada de mal gosto. No entanto, piadas semelhantes, publicadas no Der Sturmer e outros veículos nazistas, no final das contas levaram as câmaras de gás e a morte de seis milhões de judeus em Auschwitz e outros campos de extermínio, valas comuns, etc...
Na pior das hipóteses, é altamente desnecessário se reforçar estereótipos medievais judaicos como estes. Esta na hora da nossa mídia, e de nossos humoristas - porque não - entenderem que existem limites para as coisas, mesmo no humor ( e obviamente, de forma ainda mais rigorosa, nas notícias).

Como se percebe na imagem escaneada acima, o jornal não só quis brincar com Sharon, como não teve o menor problema em zombar de outras figuras de renome israelense, como a falecida ex-primeira ministra Golda Meir, colocando sua foto no lugar da de Sharon para combinar com o título "Ariel Sharon Stone".
Finalizando, o texto diz: ""Será que Sharon vai ficar bom?" . Olha, o Sharon pode até melhorar, mas bom, bom mesmo, ele não vai ser nunca".
Qual será o conceito de "bom" para o jornal? Serão as ditaduras do petro-dólar que até hoje abertamente falam na destruição de Israel? Ou os grupos terroristas palestinos que realizam carnificinas em ônibus, discotecas e pizzarias? Afinal foram estes que decretaram o desejo de "varrer Israel do mapa", que o "mau" Sharon teve de combater. Talvez "bons" tenham sido Arafat e o Sheik Yassin, ou então Saddam Hussein e seus pares, para os quais a mídia de forma geral se recusou a condenar pelo que são: ditadores, assassinos e terroristas. Também vulgarmente conhecidos como inimigos de Sharon. Como preferir...
Mas afinal, quem é Agamenon?
Agamenon Mendes Pedreira é um humorista da velha guarda, trabalha há muitos anos no Globo e é um dos redatores do Casseta & Planeta. Sua especialidade é o linguajar chulo e a introdução de palavrões e palavras fora do contexto nos textos. É cultuado como grande guru por jornalistas, comentaristas e outros colunistas.
"Há mais de dez anos Agamenon Mendes Pedreira assina uma coluna aos domingos no jornal O Globo. Com seu estilo inconfundível, este velho homem de imprensa conquistou leitores de todas as tendências políticas, culturais e sexuais. Artistas, jogadores de futebol, políticos, jornalistas — ninguém escapa ao tom sarcástico e debochado do colunista mais bem-humorado da imprensa brasileira. Mas quem é o homem que se esconde por trás daquela foto 3x4, com ar de seriado americano dos anos 50? Em Agamenon o Homem e o Minto, Hubert e Marcelo Madureira, integrantes do Casseta & Planeta e criadores do personagem, revelam as histórias mais divertidas deste ícone da imprensa tupiniquim."
Sugestão de Ação: Envio de e-mails em massa ao Globo pedindo que se retratem desta "piada" de mal gosto e em alguns tópicos, claramente anti-semita.
E-mails:
Trajano Moraes
Plantão O Globo
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